Parado na esquina,
prostituído e embreagado...
Vejo o padecimento do tempo
envolto em nada,
como fruta podre alheia ao tempo...
Os olhares invadem a privacidade daqueles que buscam a volúpia.
A lua despeja uma chuva prata refletida,
desnuda como todas as mulheres que meus olhos alcançam.
Ouço um ruído surdo e sinto-me deslocado em tamanha agitação.

Meu copo quase vazio esquenta em minhas mãos e entre tragos penso em cair no mundo.
Minha cabeça gira e sinto o corpo que oscila em atrito no meu...
Tão belo, sensual, voluptuoso e vazio.
Eu o desejo, curvilíneo e atraente, cheirando à libido
movimentando-se promíscuamente junto à mim...
Onde estou sinto isso ao longe... um ruído que não identifico..
Meu corpo satisfaz-se, com beijos e carícias
enquanto minha mente vagueia por lugares que acredito ter passado.
O dia clareia-se e estou uma vez mais entre braços alvos e perversos.
A noite parece não ter fim. Breve será invadida pela aurora humildemente cautelosa.
Meus olhos pedem para fecharem-se e ainda tenho algo no copo.
Acabei por dar-me conta de que estou ainda
Parado na esquina...
Esperando o tempo me levar, beijos quentes e orgasmos falsos.
Apenas procurando algo que estou certo de que não encontrarei,
Não hoje, nem aqui... mas algo falta.
Invadido pela ausência que não é falta,
Com fome de carinho, atenção...
Não me olhou, falou pouco,
acabou nua e sem vida como uma lata de cerveja vazia,
Com seu dever cumprido, deixando a satisfação da carne e vazio,
a sensação de ainda estar
Parado na esquina...