terça-feira, 21 de abril de 2015

Só uma postagem

Vazio.
Perdido entre sonhos e pesadelos,
que refletem meus dias e madrugadas.
Percebo que não há e raramente houve uma
manhã ensolarada...

Nas noites em claro,
nas horas vagas, me perco em mim
buscando respostas sobre questões
das quais sei as respostas, mas nunca
tive coragem de perguntar.

Olho o horizonte e me ausento...
olho as estrelas e num segundo estou lá.
Infelizmente não vejo todas as noites a lua,
por me esquecer quase o tempo todo de olhar...
fico perdido com os olhos nas telas,
vendo coisas que sequer estão lá. Como quem
espera um chamado, ou uma estrela cadente passar.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Pecador

     Sou vilão. Cresci e deixei de ser mocinho, sem méritos a carregar, das mãos ensanguentadas, dos crimes em vão. 
     As trapaças e mentiras guardadas no coração errante. Sem lei, sem teto, sem chão. Ora um coiote, ora um cão. 
     Minha arma me guarda. Dinheiro e vinho na mão, noite adentro nas tavernas, nas manhãs geladas, um mendigo a pedir pão. 
     Minha Senhora arde em meu peito, de onde espero a salvação. Mas na terra anda a astuta diaba, minha fraqueza e perdição.
      

sábado, 13 de dezembro de 2014

Uma pausa em meio ao caos

     Acordo... assistia uma série sobre zumbis e o fim do mundo... dou-me conta que realmente o mundo está apocalíptico, como em meu sonho. Mesmo sem nenhuma infecção, estou cercado por zumbis...
     Eles andam,  falam, comem e agem como pessoas vivas. Mas num curto período observando, percebo que estão mortos. Desprovidos de almas... corpos vazios em atividade. Fantoches de um sistema que morreu dentre suas crenças, mas que permanece vivo. Um sistema que vive dentro da realidade surreal que sustenta os corpos inanimados, programados...
     Eu esperava algo e dei-me conta da banalidade que considerei ser a esperança. Algo mudou e eu sequer dei-me conta (como poderia?)... e somente há essa certeza de que algo mudou...
     Nossos vizinhos alienados sobrevivem, encurralados esperando carne fresca. Nossos semelhantes tornaram-se inimigos. Pessoas próximas são as mais distantes! Conhecem suas fraquezas e podem abater-nos facilmente...
     O mundo que conhecemos não é mais o mesmo. Os mortos vivem uma vida farta... sobrevivemos ao descaso e a insignificância...
     Nossa essencialidade tornou-nos alimento, enquanto nossa índole nos remete à sobrevivência... impelindo ao canibalismo... nos impulsionando ao egoísmo. Comer ou ser comido... nos privando das memórias que nos fazem humanos... das alegrias que criavam a falsa sensação de que éramos livres...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ausente

Tantas perguntas sem respostas.
Tanto medo de perguntar.
Perdido em devaneios acordado,
imaginando como será ou é
os anseios que persistem em me confundir...
os sentimentos que não estou certo
de serem realmente meus.
Uma ausência ou falta, no meu peito
engasgada... falta de alguém que se foi,
sem dizer pra onde e se retornaria.
Saí de mim... talvez tenha sido levado
por alguém. A verdade é que não tenho
as respostas que desejo e
temo me perguntar e não saber ao certo.
Não adianta me procurar, há tempos não sou visto.
Nem sei ao certo por onde andei, pois a paisagem
parece ser sempre a mesma... há momentos
que penso estar andando em círculos.
Como um cão correndo atrás da própria cauda...
sacudindo as pulgas, latindo pro nada, esperando
encontrar... um lugar... pra chamar de lar...

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Palavras aromáticas

Só o silêncio. 
Ouço meus pensamentos turvos, 
por um momento
me encolho só e oculto.

Nos meus anseios 
construindo pontes, derrubando muros, 
me presenteio. 
Uma chama em meio ao escuro.

Não há mais trevas, 
me sinto seguro. 
O perfume do incenso, 

com cheiro de ervas, 
genuíno e puro, 
sem culpa me ausento.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Jardim

Deitei em meio aos ossos e flores sem cor...
A palidez à espera da primavera, 
numa cena do cinema mudo.
O preto e branco contrastando 
no busto da donzela, aguardando...
Dois opostos tão semelhantes.
Pensei ter reparado toda ela, 
mas percebi que olhei assustado. 
Meio curioso, meio desconfiado 
e não a conheci sequer um bocado, 
não por medo dela, mas por medo 
de estar atado 
à personagem que se deita ao lado.
Eu, descuidado 
olhando a tela sem cor, 
sozinho no cinema sentado. 
Penso em como seria a cena 
num futuro, num tempo avançado...
a primavera q colorirá a flor que 
num vaso perfuma o quarto, 
com cores e aromas demasiados...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Euforia

Penso nos momentos que se foram,
que ainda nem aconteceram.
Penso em como poderá ser.
Um instante contido num sorriso,
após um gole do gim aguado de gelo já no fim.
Um cigarro, fumado pela metade.
Quanto tempo contido num só momento,
quando o mesmo parece ser eterno?

Reflexões à parte, deixo o bar.
Saindo à esmo, passo por um templo e
balbucio uma prece em meio aos sinos fúnebres e anjos esculpidos,
frios e monumentais a me encarar como que julgando minha alma.
Sim, a luz fraca e a madeira escura lembram um tribunal.

Já em casa, permaneço imóvel
enquanto o quarto gira.
No travesseiro um perfume que se esvai a cada minuto.
Até quando dormirei sentindo esse aroma que tanto me atrai?
Aroma que anseio sentir mais e mais,
o calor que desejo em meus sonhos, mesmo acordado.
E sei que em algum lugar está...
longe dos olhos e contidos numa chama que temo acender.

Quero atear fogo na cidade,
sentar num morro distante e assistir a dança das chamas.
Sentir o calor, hipnotizado com as labaredas absortas.
Condenado em meu próprio inferno,
e seu corpo em chamas para me aquecer, até que vire cinzas...
carbonizado, amenizando o inverno...